Descobri que quando passamos por uma decepção no amor, ficamos com medo não só de dizer “te amo”, mas também demoramos a acreditar quando alguém diz que nos ama.
A decepção é como uma morte momentânea. Ela nos aliena dos relacionamentos que nos faz crescer emocionalmente. Ela gera medo, cobre nossos olhos diante do que pode realmente ser bom. Nos deixa com o pé atrás. Deixamos de acreditar em nós e no outro.
A decepção nos permite generalizar o comportamento das pessoas.
Quando dois decepcionados cuja queixa é a mesma, se encontram e trocam experiências, existe um alto risco de se formar e difundir uma opinião generalizada a respeito daquilo que lhes causou dor. É onde começa o processo de uma espécie de preconceito. Esses dois decepcionados passam a transmitir pra outras pessoas a sua história, e entre um e outro eles encontram outros que também sofreram em alguma época da vida algum tipo de decepção, e ali se forma uma nova troca, e a tal opinião generalizada ganha força.
Quando temos uma opinião formada a respeito de qualquer assunto e encontramos respaldo para os nossos argumentos, ficamos cada vez mais enraizados aquela concepção. E seguimos guiados por isso. Já olhamos para as pessoas decididos no que acreditar. Quando alguém tenta nos mostrar uma nova forma de ver, já temos um argumento pronto e sólido, e refutamos qualquer contra argumento. Prosseguimos cegos.
Se por alguma razão conseguimos vencer o obstáculo do medo. Se conseguimos esquecer o passado e novamente nos envolver com alguém e a decepção reincide, o estrago é pior. O ceticismo toma conta.
Como somos seres sociais e precisamos nos relacionar de alguma forma, a gente acaba por criar maneiras evasivas de fazer isso.
Mas o paradoxo mesmo é que aos poucos nos tornamos naquilo que antes repudiávamos. Alguém que gera descrença nos outros. Alguém que faz com que outros deixem de acreditar que é possível encontrar um amor de verdade. Promovemos a idéia de que o amor é um sentimento anacrônico.
Quanto mais nos distanciamos do amor na condição de amantes, maior fica o nosso potencial em magoar outras pessoas e torna – las como nós.
"A medida de amar é amar sem medida..." - Humberto Gessinger
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